Zilco Ribeiro nasceu em Porto Alegre, onde viveu até os 18 anos. Aos 21 anos ingressou na Força Aérea Brasileira, onde conquistou a patente de Capitão Aviador e atuou como instrutor de voo até 1949. Iniciou sua carreira de produtor teatral com a Cia. Organizadora Teatral Cinematográfica Ltda., no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Seu primeiro espetáculo foi “Quero Ver-Te de Perto” (1949), com Dercy Gonçalves, Oscarito, Renata Fronzi e o coreógrafo e dançarino Norbert. Terminada a temporada no Teatro Carlos Gomes, transferiu-se para Copacabana, onde passou a residir e ocupar o Teatro Follies, a partir de 1951. Logo tornou-se produtor independente e seguiram-se inúmeros espetáculos. Seus roteiros evidenciavam um grandioso elenco de vedetes cuja produção cuidava pessoalmente, com requinte nos figurinos e adereços. Foi considerado criador de um novo estilo no teatro musicado em forma de revista, aliando ao show de vedetes esquetes inspiradas nas novidades políticas da capital federal com um certo “humor elegante”. Em 1956, trabalhou em São Paulo, no Teatro Natal, na Avenida São João. Após excursionar pelo Brasil, montou em 1960 “O Samba Nasce no Coração”, espetáculo de sua criação, que reuniu a velha guarda do samba: Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Ataulfo Alves, Ismael Silva, entre outros. Encerrou sua carreira em 1962 e viveu em Parati, Rio de Janeiro, até o seu falecimento.
Luiz Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1898. Formou-se em engenharia na Escola Militar do Realengo. Era capitão do Exército quando participou do levante dos tenentistas no Rio de Janeiro, em 1922. Em 1924, licenciou-se do Exército e, em 1925, aliou-se aos dissidentes em Foz do Iguaçu com Miguel Costa e deram início à Coluna Miguel Costa-Prestes. Em 1927, com o final da Coluna, permaneceu em Puerto Suarez, na Bolívia, e recebeu o convite de Astrojildo Pereira para o ingresso no Partido Comunista Brasileiro (PCB), o qual foi recusado por Prestes. No ano seguinte, mudou-se para a Argentina e fundou a Liga de Ação Revolucionária (LAR), que acabou extinta alguns meses depois. Ainda em 1930, precisou mudar para o Uruguai. Em 1931, foi para a União Soviética e, em 1934, ingressou no PCB. No ano seguinte, retornou clandestinamente ao Brasil acompanhado da esposa, Olga Benário, a fim de promover uma revolta armada no país. Em 1936, o casal foi preso e Olga enviada para a Alemanha nazista. No campo de concentração deu à luz sua filha Anita e faleceu alguns anos depois. Luiz Carlos Prestes permaneceu preso, no Brasil, até 1945. No ano de 1943 foi eleito secretário-geral do Comitê Central do PCB e, em 1945, foi eleito senador, tendo seu mandato cassado em 1947, juntamente com o cancelamento do registro do partido. Passou a viver novamente na clandestinidade até 1958. Com o golpe militar de 1964 foi obrigado a voltar para a clandestinidade e, em 1971, exilou-se em Moscou com seus filhos e sua segunda esposa, Maria do Carmo Ribeiro. Só retornou ao Brasil em 1979, com a Lei de Anistia. Em 1980, desligou-se do PCB e registrou seus motivos na Carta aos Comunistas. Faleceu aos 92 anos de idade no Rio de Janeiro.
Paulo Roberto Ottoni nasceu no distrito de Sousas, interior do estado de São Paulo, em 23 de outubro de 1950. Graduou-se em Linguística (1972-1977) e Ciências Sociais (1972-1979) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e Licenciatura em Francês pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz (1980-1984). Cursou mestrado (1983-1984) e doutorado (1985-1990) em Linguística pela UNICAMP. Durante o mestrado, foi professor de leitura em francês, além de ter trabalhado em um grupo de estudos do idioma pela mesma universidade. Entre 1995-1998, atuou como representante do Departamento de Linguística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da UNICAMP na comissão de graduação do mesmo instituto. Realizou seu Pós-Doutorado (1999-2000) na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, na França. De volta à UNICAMP, ingressou como professor associado e titular do IEL, atuando nas áreas de teoria, prática e ensino da tradução. Coordenou diversos projetos de pesquisa sobre leitura e tradução da obra do filósofo franco-argelino Jacques Derrida (1930-2004), entre os anos de 1997 e 2003. Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio de Reconhecimento Acadêmico "Zeferino Vaz" pela Universidade. Faleceu em 9 de fevereiro de 2007.
Osvaldo Cordeiro foi colecionador de equipamentos, registros musicais e revistas sobre rádio, cinema, esporte e fotografia.
Astrojildo Pereira Duarte da Silva nasceu em Rio Bonito, Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro de 1890, filho de Ramiro Pereira Duarte Silva e Isabel Neves da Silva. Iniciou sua vida política na Campanha Civilista com sua filiação ao Centro de Resistência Operária, em Niterói, aproximando-se dos anarquistas. Sua atividade sempre esteve ligada ao jornalismo político e literário. Foi colaborador e diretor de inúmeros periódicos anarquistas e comunistas, entre eles, "A Guerra Social", "A Barricada", "O Debate", "Crônica Subversiva", "Germinal", "Spartacus", "A Classe Operária", a revista "Movimento Comunista", entre outros. Foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro durante o congresso realizado em março de 1922. Preso em razão do golpe militar de 1964, foi libertado no ano seguinte por problemas de saúde, vindo a falecer em 21 de novembro de 1965.
José Dirceu de Oliveira e Silva é natural de Passa Quatro, Minas Gerais. Formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ligou-se ao movimento estudantil tendo sido vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes da PUC-São Paulo (1965-1966), presidente do Centro Acadêmico XXII de Agosto em 1966 e presidente da União Estadual dos Estudantes UEE em 1968. Foi preso durante as atividades do XXX Congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna. Teve sua sua nacionalidade cassada e foi banido. No exílio trabalhou e estudou em Cuba. De 1971 a 1979 viveu clandestinamente no interior do Paraná. Retornou à vida pública com a anistia, trabalhando de 1981 a 1987 na Assembleia Legislativa de São Paulo em diversas atividades. Foi eleito Deputado Estadual (Constituinte 1987-1991) e Deputado Federal (1991-1995, 1999-2002 e 2003), sempre por São Paulo, no Partido dos Trabalhadores - PT. Em 1984 representou o PT no Comitê Intrapartidário Pró-Eleições Diretas para Presidente, tornando-se um dos principais coordenadores da campanha Diretas Já. Tornou-se membro do Diretório Nacional em 1985 e secretário geral do partido de 1987-1993. Primeiro vice-líder do Partido dos Trabalhadores (1993) foi seu presidente nacional de 1995 a 1999. Foi Chefe da Casa Civil do governo Lula de janeiro de 2003 a junho de 2005.
Fernando Sanchéz (el "Cura") nasceu na cidade de Buenos Aires, Argentina, em 4 de junho de 1943. Foi militante da organização argentina de matriz trotskista Política Obrera (PO), chegando a integrar seu Comitê Executivo. Estudou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires (UBA) e, posteriormente, instalou-se na cidade de La Plata para construir a regional do partido. Trabalhava na Empresa Metalmecánica Argentina (EMA). Em 1º de maio de 1975, enquanto chefiava uma delegação de solidariedade aos metalúrgicos de Villa Constitución (em greve pela prisão da Diretoria), foi detido e passou meses preso no presídio Coronda, província de Santa Fé. Após o golpe de estado do ditador Jorge Rafael Videla Redondo em inícios de 1976, continuou sua atividade militante na clandestinidade. Tinha 34 anos quando foi detido novamente em 23 de setembro de 1977 junto a outro companheiro, Gustavo Grassi ("Mondragón"), e mantido em cativeiro no centro clandestino "El Atlético", para posteriormente ser transferido para a Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA). Sua família fez inúmeras representações perante organizações, ministérios, Igreja e Justiça, mas os habeas corpus apresentados a seu favor foram sistematicamente rejeitados. Simultaneamente, a Política Obrera realizou uma intensa campanha nacional e internacional de denúncia pela sua aparição e de Gustavo Grassi com vida. Ambos permanecem desparecidos.
Hílio de Lacerda Manna nasceu no Rio de Janeiro em 1910. Médico de formação, foi professor catedrático de Histofisiologia Experimental da Faculdade Fluminense de Medicina e Veterinária e diretor do Instituto Paulista de Endocrinologia. Atuou na juventude comunista do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e no Socorro Vermelho. Conhecido pelos pseudônimos Luís, Xavier, Dr. Amaral e Horacio Mello, foi diretor da Comissão de Agitação e Propaganda do Comitê Regional do PCB, em São Paulo. Em 1937, foi expulso da organização sob a acusação de fraccionismo trotskista, ao lado dos também militantes Hermínio Sacchetta e Heitor Ferreira Lima. Foi membro do Centro Paulista de Estudos do Petróleo, destacando-se na campanha pelo monopólio estatal do petróleo, em São Paulo. Publicou livros na área de sua atuação profissional e, durante a década de 1950, escreveu nos periódicos "Panfleto", "Jornal da Semana" e "Semanário". Em 1951, foi enviado especial da Presidência da República para África e Oriente Médio. Morreu em 7 de junho de 1987.
Nasceu em 01 de março de 1863, na província de Alessandria, Piemonte. Cursou Direito na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Turim. Participou da constituição do Partito dei Lavorati Italiani (depois Partido Socialista Italiano) e ocupou a posição de administrador do periódico socialista de Turim, Il Grido del Popolo. Em 1904 é convidado pelo Partido Socialista para dirigir o jornal Avanti! em São Paulo. Em 1º- de janeiro de 1906, funda o seu próprio jornal, Il Secolo, e iniciava uma polêmica com outros socialistas, então reunidos em torno do Avanti!, que só terminaria em 1923, através da coalizão antifascista.Em 1908, fundou em São Paulo, o Centro Socialista Paulistano, do qual resultou como manifesto de criação a obra O socialismo no Brasil.
Piccarolo atuou ativamente na área da educação como professor de latim e criador de cursos e escolas diversas. Fundou o primeiro órgão antifascista de São Paulo, La Difesa, e o orientou até 1926. Participou também, como membro e simpatizante da Sociedade Amigos da América, entidade anti-fascista e de apoio aos Aliados durante a 2ª- Guerra Mundial.
