Cantídio de Moura Campos (1889-1972) nasceu em Botucatu e se formou pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde posteriormente passou a exercer a atividade docente. Entre diversos cargos que ocupou, foi diretor da Faculdade de Medicina da USP (1932-1935), Secretário da Educação de São Paulo (1935-1937), chefe do Corpo Clínico do Hospital de Clínicas da FMUSP (1946-1959), vice-reitor e reitor em exercício da Universidade de São Paulo (USP). Também foi membro da Academia de Medicina de São Paulo e da Academia Nacional de Medicina. Cantídio foi nomeado para instalar a Faculdade de Medicina da Unicamp, tendo sido seu diretor pro-tempore. Entretanto, nesse período, não foram providos recursos necessários para a instalação. Em 1961, o professor integrou o Grupo de Trabalho constituído pelo reitor da USP, Antonio Barros de Ulhôa Cintra, para estudar e propor um núcleo universitário em Campinas. A proposta resultou na Lei 7.655/1962, que criou a Universidade de Campinas. Durante o período em que permaneceu como reitor, Cantídio tomou as primeiras medidas para a instalação da Universidade e de sua primeira unidade, a Faculdade de Medicina de Campinas, constituindo quadros de docentes e de funcionários, além do primeiro vestibular.
Allyrio Hugueney de Mattos nasceu em Cuiabá, Mato Groso e formou-se engenheiro em 1913. Concluído o curso foi nomeado Preparador da cadeira de Topografia, em 1915, tendo prestado concurso para Livre Docente da cadeira de Topografia e Legislação de Terras, em 1925. Em 1930, foi nomeado Professor Catedrático para a Cátedra de Astronomia e Geodésia na Escola Politécnica. Em 1938 foi chamado para preparar um grupo de Engenheiros do então Conselho Nacional de Geografia (hoje Instituto Brasileiro de Geografia), a fim de determinar as coordenadas geográficas dos Municípios do Brasil. Com este trabalho, muitos municípios tiveram suas coordenadas fixadas, com a eliminação, em muitos casos, de erros enormes nos mapas. O que destacou o professor Allyrio no conjunto da engenharia nacional foi sua atuação modernizadora no que diz respeito à Cartografia, nome genérico que hoje abrange todos os tipos de levantamento e determinações de posições absolutas ou relativas de porções da superfície da terra. Como astrônomo, é o único brasileiro a observar três eclipses totais do Sol visíveis no Brasil (em 1919, 1945 e 1969). Por ocasião do eclipse em Bocaiúva (1945), recebeu o Diploma de Comendador da Ordem da Rosa Branca da Finlândia. Foi Membro Titular da Academia de Ciências e Sócio Benemérito Fundador da Sociedade Brasileira de Cartografia. Recebeu, em 1967, pelos seus méritos, o Prêmio Ricardo Franco. Na década de vinte, seu interesse pela recente descoberta da radiotelefonia levou-o, juntamente com Roquete Pinto e outros entusiastas, a fundar a Radio Sociedade do Rio de Janeiro. O Professor Allyrio Hugueney de Mattos faleceu em 7 de janeiro de 1975, no Rio de Janeiro.
Antônio Jofre de Vasconcelos, nascido em 25 de novembro de 1946, na cidade de Jacutinga, Minas Gerais, é um médico e inventor reconhecido por sua contribuição pioneira à ciência durante sua formação acadêmica na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele integrou a quarta turma de medicina da instituição, estudando de 1966 a 1971.
A Invenção do Campímetro de Jofre
Ainda como estudante, em 1970, Jofre de Vasconcelos realizou uma pesquisa científica que resultou na criação de um dispositivo inovador para a época: o Campímetro de Jofre. Este aparelho, projetado para medir e registrar o campo visual de pacientes, destacava-se por ser portátil, de baixo custo e funcional sem a necessidade de energia elétrica. Sua praticidade e eficiência fizeram com que o dispositivo se tornasse valioso para exames oftalmológicos e neurológicos, contribuindo para diagnósticos mais acessíveis e precisos.
No dia 6 de junho de 1970, Jofre deu entrada no pedido de registro de patente do aparelho, descrito como um “novo e original aparelho para exame médico de um campo visual”. A invenção foi registrada sob os números 12.463 (SP) e 220.748 pelo Departamento Nacional de Propriedade Industrial (DNPI) no Rio de Janeiro. Este feito tornou a patente do Campímetro de Jofre a primeira registrada por um aluno ou professor da Unicamp, destacando-se como um marco na história da inovação tecnológica da universidade.
Legado e Impacto
O Campímetro de Jofre exemplifica a capacidade criativa e o compromisso com a ciência aplicada, mesmo durante a graduação. Sua invenção refletiu o espírito inovador da Unicamp, que se consolidava como uma instituição de ponta na pesquisa científica brasileira. O aparelho possibilitou avanços no diagnóstico médico em áreas como neurologia e oftalmologia, sendo um precursor no desenvolvimento de dispositivos acessíveis para a saúde.
A história de Antônio Jofre de Vasconcelos é frequentemente lembrada na Unicamp como um exemplo de como a ciência pode aliar criatividade e impacto social. Sua invenção permanece como símbolo da capacidade de alunos e pesquisadores em transformar conhecimentos acadêmicos em soluções práticas para a sociedade.
Januário Garcia Filho nasceu em Belo Horizonte no dia 16 de novembro de 1943. Januário foi um dos quatro filhos de uma família pobre, moradora da periferia da capital mineira. Seu pai morreu quando Januário tinha 4 anos, sendo então criado até os 12 anos pela mãe, quando ela faleceu ainda muito jovem, aos 36 anos, por volta de 1955. Januário Garcia chega ao Rio de Janeiro aos 13 anos, indo morar nas ruas e abrigos públicos da cidade. Levado ao Serviço de Amparo ao Menor (SAM) aos 16 anos, foi voluntário da Tropa de Paraquedista do Exército aos 17, onde fez curso de Infante Paraquedista e, completou o ensino fundamental e ensino médio. Foi nessa ocasião que comprou sua primeira câmera fotográfica, fazendo fotos dos colegas no quartel. Após sair do quartel e sobreviver de outras atividades, Januário retornou à fotografia na década de 1970, iniciando assim sua carreira profissional com o incentivo de Ana Maria Felippe, sua esposa, que o alavancou na profissionalização. Fotografou para jornais alternativos da época, prestando serviços como freelancer para a grande imprensa, começando pela Tribuna da Imprensa e, com o tempo, para outras redações: O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Notícia, Revista JB e algumas publicações da Editora Bloch. Foi convidado para participar da fundação da Photo Galeria, organização voltada para a venda de fotografia de arte, onde conheceu George Racz que mais tarde o convidou para ser seu assistente. Montou um estúdio e foi trabalhar com publicidade, encontrando as travas raciais estruturais impostas à população negra ao tentar ocupar um espaço social não reservado à ela. Durante todo tempo que fotografou para publicidade, o único fotógrafo negro que encontrou, nessa área, foi Walter Firmo e, tinha, ainda, uma referência do fotógrafo negro, José Medeiros. Sua chegada ao Movimento Negro se deu na ocasião em que era assistente do Racz, pois ele havia implantado um curso de fotografia no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro onde o próprio ministrava aulas, sendo considerado um dos melhores cursos de fotografia da cidade do Rio de Janeiro. Em um determinado momento, Januário foi convidado a substituir Racz, como professor. Em 1975, havia um aluno negro no Curso, José Ricardo D´Almeida, que viu sobre sua mesa, uma revista negra americana Ebony, periódico que Januário comprava para desenvolver seu inglês e acompanhar as lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Esse número da revista falava em Malcolm X. Ao ver a revista o aluno convidou Januário Garcia à uma reunião de um grupo de negros realizada aos sábados, no Centro de Estudos Afro-asiáticos na Universidade Cândido Mendes em Ipanema. Ao fim da reunião, Januário percebeu que ali estava sendo escrita uma nova história na sociedade brasileira. Voltou nas reuniões seguintes e começou a fotografar as reuniões do Movimento Negro. Essa documentação fotográfica passou a ser seu trabalho pessoal e ao mesmo tempo sua ferramenta de participação na luta e na história do Movimento Negro Brasileiro. Januário documentou brasileiros afro-descendentes nos mais diversos aspectos da vida: social, político, cultural e econômico, criando um monumental acervo fotográfico que relata a história contemporânea dos negros do Brasil demonstrada em belíssimas imagens, capturadas por sua sua lente. As imagens retratam a luta diária do negro para conseguir se inserir nessa sociedade, seu cotidiano, sua cultura, a alegria durante o carnaval entre tantos outros momentos. São registros que nos permitem adentrar suas casas e transitar pela história de lutas e conquistas do movimento negro no Brasil. Através destas imagens é possível serem encontradas, ainda nos dias de hoje, marcas e reflexos de um passado não superado. Januário estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e morreu na noite de 30 de junho de 2021, em decorrência da COVID-19.
Filho de Luiz Antônio de Castilho e Edith Teixeira de Castilho, Ataliba Teixeira de Castilho nasce no dia primeiro de abril de 1937, em Araçatuba, interior de São Paulo.
Sua formação acadêmica, realizada na Universidade de São Paulo (USP), compreende: Licenciatura em Letras Clássicas (1959), Especialização em Filologia Românica (1960) e Doutorado em Linguística (1966), orientado por Theodoro Henrique Maurer Junior.
Ataliba Teixeira de Castilho inicia sua carreira acadêmica em 1961, como professor titular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, integrada posteriormente à Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), onde permanece até 1975. Em 1969, é um dos fundadores do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo (GEL), sendo eleito seu primeiro presidente. Participa também da Comissão de Organização da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), integrando seu Conselho Científico. Entre 1983 e 1985, é presidente da ABRALIN. Ainda em 1969, torna-se um dos delegados brasileiros junto ao Programa Interamericano de Linguística e Ensino de Idiomas (PILEI) e membro da Associação de Filologia e Linguística da América Latina (ALFAL).
Em 1970, Ataliba Teixeira de Castilho é professor visitante na University of Texas at Austin e passa a coordenar, primeiro ao lado de Isaac Nicolau Salum, depois de Dino Preti, o "Projeto de Estudo da Norma Urbana Culta da Cidade de São Paulo" (Projeto NURC-SP). Em 1975, assume o cargo de professor titular no Instituto de Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas (IEL - UNICAMP).
Em 1981, realiza pós-doutorado como bolsista da Comissão Fulbright, na Cornell University e na University of Texas at Austin. Em 1988, torna-se coordenador geral do "Projeto de Gramática do Português Falado", cujos resultados são publicados pela Editora da UNICAMP, a partir de 1990. Ainda em 1990, faz pós-doutorado na Université D'aix Marseille e preside, na UNICAMP, a Comissão Organizadora do IX Congresso Internacional da ALFAL.
Em 1991, aposenta-se na UNICAMP e, em 1992, vincula-se como professor doutor assistente na USP, local em que, no ano seguinte, torna-se livre-docente em Filologia e Linguística Portuguesa. Em 1995, faz pós-doutorado no Institute of Linguistics. Dois anos depois, faz pós-doutorado na Università degli Studi di Padova. No mesmo ano, cria e coordena o "Projeto de História do Português de São Paulo". Em 1998, também cria e coordena o "Projeto para a História do Português Brasileiro". Entre 2000 e 2001, realiza pós-doutorado na University of California San Diego e, entre 2004 e 2008, na Georgetown University, ambas nos EUA. Em 2006, torna-se assessor linguístico do Museu da Língua Portuguesa. No mesmo ano, coordena junto à outros pesquisadores a publicação do primeiro volume da Gramática do Português Culto Falado no Brasil, publicada pela editora da UNICAMP.
No ano seguinte, aposenta-se compulsoriamente, permanecendo, entretanto, como professor senior na USP e como professor colaborador voluntário na UNICAMP.
Ao longo de sua trajetória profissional, Ataliba Teixeira de Castilho realiza diversas atividades junto a entidades de fomento científico, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Escreve, até o momento, uma vasta obra, distribuída entre livros, comunicações, artigos em revistas científicas, nacionais e estrangeiras, e capítulos dispersos em obras organizadas por terceiros. Em 2010, lança a Nova Gramática do Português Brasileiro. Atualmente, é editor geral da obra coletiva "História do Português Brasileiro", em andamento. É membro do corpo editorial das seguintes revistas: Alfa (Revista de Linguística da UNESP), Linguística (Revista da Associação de Linguística e Filologia da América Latina), Revista do GEL, Cadernos de Estudos Linguísticos (UNICAMP), Filologia e Linguística Portuguesa (USP). Tem desenvolvido pesquisas na área de Linguística do Português, com ênfase nas seguintes áreas: descrição da língua falada, sintaxe funcionalista do português brasileiro, história do português brasileiro e análise multissistêmica do português brasileiro.
Nasceu em Campinas, SP, em 24 de junho de 1944. Graduou-se em Educação Física pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade Católica de Campinas, em 1970. Defendeu a Dissertação de Mestrado intitulada: Currículo de Graduação em Educação Física A Busca de um Modelo pela Universidade Metodista de Piracicaba e o Doutorado na área de Motricidade Humana, na Universidade Técnica de Lisboa. Na Unicamp iniciou a sua carreira na função de Professor de Educação Física junto a ATREFE, no ano de 1972, época em que foi implantada a Educação Física para todo o Ensino Superior no Brasil. A partir de 1982, foi designado Coordenador de Ensino e Pesquisa da Assessoria Técnica da Reitoria para Educação Física e Esportes, tornando-se responsável pela organização das atividades esportivas do campus e implantação da Faculdade de Educação Física, inclusive da pós-graduação. Dentre os cargos ocupados destacam-se: Coordenador da Faculdade de Educação Física (1985) Diretor da Faculdade de Educação Física (1986- 1990) Assessor da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (1990-1994) Presidente da Comissão Instaladora da Sociedade Internacional de Motricidade Humana (01/1995-12/1996) Presidente da Sociedade Internacional de Motricidade Humana (10/1998-10/1999) Vice-Presidente do Conselho Federal de Educação Física (01/1999-01/2001).
João Antônio de Souza Mascarenhas nasceu na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, em 24 de outubro de 1927. Filho de Balbino de Souza Mascarenhas e Inês Leite Mascarenhas, graduou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul (atual UFRGS), em 1950. Em 1956, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou o resto de sua vida. Entre as décadas de 1950 e 1970, trabalhou como funcionário público em diversos órgãos federais, tais como Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (atual CAPES), Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), Serviço Social Rural (SSR), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entre outros. Seu primeiro contato com o ativismo ocorreu no início da década de 1970, através da leitura de publicações estrangeiras. Em 1977, organizou a vinda ao Brasil de Winston Leyland, diretor da editora norte-americana Gay Sunshine Press. Em decorrência desse encontro, um grupo de escritores e intelectuais reunidos na casa do pintor Darcy Penteado decidiu criar o jornal "Lampião da Esquina" (1978-1981), considerada a primeira publicação homossexual de grande circulação do país. João Antônio foi um dos fundadores, figurando no Conselho Editorial nos primeiros números. Manteve intensa correspondência com o movimento homossexual internacional. Foi o primeiro latino-americano a filiar-se à ILGA (International Lesbian and Gay Association) como pessoa física, participando de congressos e produzindo relatórios sobre a situação do movimento no Brasil. No início de 1985, criou o grupo Triângulo Rosa (1985-1988), cujo objetivo era a defesa dos direitos e liberdades individuais dos homossexuais. Devido a sua formação jurídica, Mascarenhas frequentemente prestava assessoria legal a outros grupos, tanto em relação ao registro dessas entidades, quanto nos casos de discriminação relacionados à sexualidade. Em associação com outros grupos, liderou uma forte campanha pela inclusão da proibição de discriminação por orientação sexual na Constituição de 1988, e na sua revisão de 1993. Em 1997, lançou o livro A tríplice conexão: machismo, conservadorismo político, falso moralismo, onde denuncia a corrupção de muitos políticos que combateram a inclusão, tudo documentado por recortes de jornais. Faleceu em 12 de junho de 1998 em decorrência de complicações de uma pneumonia.
Heitor Ferreira Lima nasceu em Corumbá, Mato Grosso, no ano de 1905, filho de Vicente Ferreira Lima e Isabel Pereira Ferreira Lima. Chegou ao Rio de Janeiro em 1922 e logo integrou a União dos Alfaiates, onde iniciou sua carreira política. Filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1923, do qual foi membro até 1942. Iniciou em 1924 sua atividade jornalística no mensário "O Alfaiate", órgão de divulgação da categoria. Foi o primeiro brasileiro a participar da Escola Leninista Internacional de Moscou, onde residiu de 1927 a 1930. Tornou-se um elo entre o PCB e a Internacional Comunista. Observou a realidade econômica soviética, durante a transição da NEP para os planos quinquenais, período em que se interessou pelos temas da industrialização e do planejamento econômico. Após retornar ao Brasil, esteve preso por duas vezes, entre 1933 e 1939. A partir de 1942, afastado da militância política, firmou-se no meio jornalístico, literário e de tradução e colaborou com vários jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo, entre os quais a "Revista Brasiliense". Em 1944, foi convidado por Roberto Simonsen a integrar o Conselho de Economia Industrial da recém criada Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde permaneceu até 1953. Tornou-se especialista em assuntos econômicos e de desenvolvimento industrial e comercial. Dirigiu as revistas "O Observador Econômico e Financeiro" (1942-1955), "Revista Industrial de São Paulo" (1944-1949) e "Boletim Informativo da Fiesp" (1950-1951). Publicou biografia e outros livros sobre política econômica e desenvolvimento industrial, destacando-se as obras "História Político-Econômica e Industrial do Brasil" (1970, 1976) e "História do Pensamento Econômico no Brasil" (1976, 1978). Morreu em 1989 na cidade de São Paulo.
Mário Carvalho de Jesus nasceu em Araguari, estado de Minas Gerais, em 1919. Filho de Augusto de Jesus e Antonia Izabel Carvalho de Jesus. Em 1932 a família mudou-se para Campinas, estado de São Paulo, onde cursou o Ginásio Estadual Culto à Ciência e a Escola de Comércio Pedro II. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1943, concluindo o curso em 1947 e, por indicação do Padre Corbeil, coordenador da Juventude Universitária Católica, realizou estágio na França, em companhia dos ex-colegas de universidade, Nelson Abraão e Vicente Marotta Rangel. Lá permaneceu durante oito meses, trabalhando com a equipe do Padre Lebret, inclusive como operário, na comunidade de Boimendeau. Casou-se com Nair Betti Oliveira de Jesus em 28 de junho de 1949, com quem teve sete filhos. Em 1949, iniciou as atividades como advogado, associando-se inicialmente ao seu conterrâneo Antônio de Pádua Constant Pires e, depois, a Nelson Abraão, ambos colegas de curso e de moradia. Entre os anos de 1953 e 1955 atuou como advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo ao lado de Vicente Marotta Rangel. Posteriormente, com Nelson Abraão, foi advogado da Cia. Seguradora Brasileira e chefe do departamento jurídico da mesma empresa. Ao deixar essa empresa constituiu, com seu colega Nelson Abraão, sua primeira sociedade de advocacia, que durou até 1960. Em 1955 patrocinou uma reclamação isolada contra a Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus de propriedade da família Abdalla. Os bons resultados obtidos levaram o sindicato a convidá-lo para advogar no próximo dissídio coletivo, efetivando-o a seguir no cargo. Em 1958 os operários da Perus fizeram greve pacífica, da qual saíram vitoriosos, após 46 dias de paralisação. Este movimento contou com a presença de clérigos, como D. Vicente Marcheti Zioni, Bispo auxiliar de São Paulo, e com a participação de militantes comunistas. Em 1962 eclodiu uma grande greve na Perus, da qual Mário participou tornando-se advogado de cerca de 800 operários demitidos, dos quais 500, tiveram ganho de causa. Estes operários, com os direitos assegurados, reassumiram suas antigas funções em janeiro de 1969, com salários equivalentes a mais de seis anos de afastamento do emprego. Mário Carvalho participou, ainda no ano de 1959, da Greve dos trabalhadores da Rhodia, da Tecelagem e Fiação Santo André e da greve dos trabalhadores da Usina Miranda. No ano seguinte, esteve presente na greve dos trabalhadores da Fábrica de Biscoitos Aymoré. No ano de 1978 foi designado por D. Paulo Arns para intermediar a greve dos operários ceramistas de Itu. No ano de 1981, os funcionários do Hospital de São Paulo também contaram com seu auxílio. Em 1960 sugere a um grupo de operários a fundação da Frente Nacional do Trabalho (FNT), associação civil aberta a todos os trabalhadores, e que propunha-se a realizar a doutrina social cristã. Mário foi eleito o primeiro presidente da instituição. A partir da criação da FNT, Mário Carvalho de Jesus e seus colegas trabalhavam para dar assistência exclusiva aos operários, individualmente ou através de seus sindicatos. As principais instituições para as quais prestaram serviços até o início dos anos setenta foram: Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão e Cortiça de Caieiras; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Jundiaí, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Louveira, Várzea Paulista e Vinhedo; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria do Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão e Cortiça de Jundiaí; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Trigo, Milho, Mandioca, Aveia, Arroz, Sal, Azeite e Óleos Alimentícios e de Rações Balanceadas de São Paulo, São Caetano do Sul, Santo André, São Bernardo do Campo e Osasco; Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de Jundiaí; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Pirajuí e Bauru e Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Osasco. Em 1968 a FNT assumiu um antigo problema rural envolvendo 80 famílias, na cidade de Santa Fé do Sul, que culminou no assentamento dos lavradores na cidade de Iguataí, Mato Grosso, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Em 21 de Abril de 1978, Mário Carvalho de Jesus participa da fundação do Secretariado Nacional Justiça e NãoViolência, sociedade civil e sem fins lucrativos que congrega pessoas e entidades numa linha evangélica ecumênica que optam pela ação não-violenta-ativa ou Firmeza Permanente, na construção de uma sociedade baseada na justiça e na fraternidade. Morreu em 1995 aos 76 anos de idade com câncer na próstata.
