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FRANCHI, Carlos
Pessoa · 15/08/1932 - 25/08/2001

Carlos Franchi nasce em quinze de agosto de 1932, em Jundiaí, interior de São Paulo.

Ao longo da vida, diploma-se com duas formações acadêmicas: bacharel e licenciado em Letras Neolatinas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em 1954; e bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 1968. Por certo tempo, Carlos Franchi exerce as duas profissões. Entre 1951 e 1955, é professor concursado de Português e Latim em Jundiaí e, entre 1955 e 1957, em Itatiba. Entre os anos de 1957 e 1971, é professor concursado do Colégio de Aplicação da USP, e, entre 1960 e 1961, professor instrutor de didática especial do português na Faculdade de Educação da USP. Já entre 1968 e 1969, Franchi ministra aulas de Literatura e Teoria da Literatura na Universidade Nossa Senhora da Medianeira (Jesuítica) de São Paulo. Entre 1967 e 1969, coordena a área de Português nos Ginásios Pluricurriculares do Estado de São Paulo. Nos mesmos anos, cursa a pós-graduação em Teoria Literária na USP, sob orientação de Antonio Candido.

Tendo desde 1964 problemas por advogar para presos políticos em Jundiaí, a partir de 1968 a situação começa a piorar. Aconselhado por Antonio Candido, Carlos Franchi deixa a Teoria Literária e segue para Besançon como bolsista ao lado de Haquira Osakabe, Rodolfo Ilari e Carlos Vogt. Juntos, esses integrantes compõem um grupo formado para estudar na França, seguindo um projeto idealizado pelo filósofo Fausto Castilho, que visava organizar a área de Ciências Humanas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o que englobava também um projeto para a formação de um Departamento de Linguística na Instituição.

Depois de um período na Université de Franche Comté, em Besançon, onde estuda com Jean Peytard e Yves Gentilhomme, licencia-se em Linguística no ano de 1970. Em seguida, tomando um rumo diverso dos outros integrantes do grupo, segue para a Université d'Aix Marseille em Aix-en-Provence, onde estava o amigo Michel Lahud, e estuda com Claire Blanche Benveniste e Gilles-Gaston Granger. Nesse período, através de Jean Stéfanini, entra em contato com os trabalhos de Noam Chomsky. Em 1971, defende sua dissertação de mestrado nessa instituição, sob a orientação de Blanche Benveniste, intitulada "Hypothèses pour une recherche em Syntaxe".

No retorno ao Brasil, Carlos Franchi tem atuação decisiva na implantação do Departamento de Linguística da UNICAMP, tornando-se assistente-mestre e chefe do departamento, cargos que ocupa entre 1971 e 1975. Nessas funções, coordena a Comissão Organizadora dos Cursos de Pós-Graduação em Linguística e dirige a primeira expansão do corpo docente em 1973, momento em que são contratados professores vindos do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1976, após realizar na Universidade de Tel-Aviv um estágio para pesquisas em Lógica e Linguagem, sob orientação de Marcelo Dascal, Carlos Franchi defende sua tese de doutorado na UNICAMP, intitulada "Teoria Funcional da Linguagem". No ano seguinte, o Departamento de Linguística da UNICAMP desmembra-se do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH - UNICAMP), instalando-se no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL - UNICAMP). Franchi exerce as funções de Diretor Associado do IEL entre 1977 e 1978, durante o mandato do Prof. Antonio Candido. Em 1979, torna-se o Diretor do IEL, exercendo o cargo até 1982, e assume o cargo de Professor Titular até a sua aposentadoria, em 1989.

Nesse período, é presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), entre 1977 e 1979, ano em que solicita afastamento temporário de suas funções de Diretor do IEL. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), realiza a atividade de "visiting scholar" junto ao Departamento de Línguas Hispânicas da State University of New York, em Albany (EUA). Entre 1980 e 1981, faz um estágio de pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).

Posteriormente à aposentadoria na UNICAMP, é pesquisador visitante no Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH - USP) entre 1989 e 2000, e professor convidado na UNICAMP, a partir de 1992. Atua também como professor visitante em várias universidades brasileiras: Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Rodolfo Ilari (2002, p. 85), "A produção científica do Prof. Franchi é altamente informal, tendo preferido a exposição em seminário ao impresso, e o 'working paper' ao livro, mas é ampla e influente. Trata de temas à primeira vista disparatados, como a sintaxe gerativa-transformacional, o ensino de língua materna e a lógica que subjaz às operações linguísticas, mas tem, a unificá-la, as características da densidade crítica e da riqueza da informação bibliográfica, assim como o retorno sempre enriquecedor a motivos que se revelaram profícuos em vários campos da investigação linguística, como a tese da indeterminação das línguas naturais, a tese de sua historicidade e a de que sua construção depende de um trabalho coletivo que compromete com a história as competências simbólicas mais fundamentais do ser humano".

Carlos Franchi falece em 25 de agosto de 2001 na cidade de Campinas, 22 dias após receber o título de Professor Emérito da UNICAMP.

Fernandes, José Genésio
Pessoa · 25/08/1946 -

José Genésio Fernandes nasce numa região de roça chamada Barra, pertencente ao município de Maria da Fé, Minas Gerais, em 25 de agosto de 1946. É filho de Joaquim Fernandes Filho e de Julia de Souza Fernandes.

Como de costume na época, Genésio Fernandes passa a trabalhar na lavoura a partir dos seis anos de idade, ajudando os pais no plantio de itens para consumo da família. Na época, também os ajudava no trabalho que faziam para fazendeiros da região, com o objetivo de poderem comprar aquilo que não produziam.

Genésio Fernandes cursa seus estudos iniciais na escola rural Luiz Francisco Ribeiro. No final dos anos 50, missionários do Sagrado Coração passam férias na região da Barra, com um grupo de alunos. Genésio, a princípio, nega o convite para ir estudar com o grupo, mas, numa segunda visita, dois anos depois, muda de ideia e, em 1960, vai para Itajubá, Minas Gerais, estudar no Instituto Padre Nicolau. Nesse período, trabalha em teatro e faz pintura de cenário.

Em 1967, ainda sob a tutela dos missionários, segue para Pirassununga, São Paulo, para dar sequência aos estudos. É nesse ano que inicia sua trajetória nas Artes Plásticas, pintando pequenos cartões a guache, prosseguindo também no teatro.

Em 1969, termina o Curso Clássico. Em sequência, iria para Campinas, São Paulo, estudar Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mas é dispensado pelos missionários por ter um "gosto artístico muito acentuado" e por ter "dificuldade de cumprir regras e horários". Volta, então, para Itajubá, trabalhando como ajudante em uma churrascaria, como vigia em um colégio, e pintando paisagens para ajudar nas despesas. Nesse período, recebe ajuda de alguns clientes da churrascaria para pagar a taxa do vestibular e ingressa no curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itajubá.

Em 1970, ganha uma viagem e a matrícula no Festival de Inverno de Ouro Preto, onde participa do curso Pintura-iniciação, obtendo, ao final do Festival, o primeiro prêmio. É contratado pelo estado de Minas Gerais para dar aulas no primeiro e segundo grau no município de Piranguinho, vizinho de Itajubá, onde permanece por quatro anos.

Em 1972, Genésio Fernandes conclui a graduação. Em 1974, passa em concurso e começa a trabalhar nas Escolas Polivalentes, em Minas Gerais. Entretanto, três anos depois, insatisfeito com o salário e com os atrasos no pagamento, decide - convidado por um amigo - ir para o Acre, a fim de trabalhar como gerente em uma empresa de eletricidade e de construção de estradas, permanecendo ali por dois anos. Começa, então, a trabalhar com Francisco Gregório Filho, no Departamento de Assuntos Culturais de Rio Branco, fundando com ele a primeira escolinha de arte do estado.

Em 1978, começa a ministrar aulas de Literatura Brasileira e Teoria Literária, na Universidade Federal do Acre (UFAC). Nessa época, participa ativamente da vida cultural de Rio Branco, escrevendo sobre pintores e organizando exposições. Em 1979, leva a primeira exposição de artistas do Acre para Brasília. Entre 1979 e 1982, muda-se para Recife, para fazer mestrado em Teoria Literária na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), escrevendo sobre Osman Lins. Nesse período, expõe no Centro de Artes da UFPE e na Galeria Três Galeras.

Em 1983, retorna ao Acre para dirigir o Campus Avançado de Xapuri, da UFAC. Envolve-se com questões sociais e com a luta do seringueiro, sindicalista e ativista ambiental Chico Mendes. Passa a sofrer perseguições políticas e, temendo as ameaças que vinha sofrendo, deixa a cidade. Retorna a Rio Branco para lecionar na UFAC, onde permanece até 1990. No ano seguinte, muda-se para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e começa a ministrar aulas no curso de Letras e de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Ali, cria e edita a revista "Rabiscos de Primeira", destinada a publicações de trabalhos acadêmicos de alunos.

Em 1996, inicia o doutorado em Semiótica e Linguística Geral na Universidade de São Paulo (USP). Obtém, em concurso, uma bolsa para passar um ano em Paris. Entre setembro de 1998 e setembro de 1999, faz cursos na Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales, Université de Paris VIII (Vincennes-Saint-Denis) e Université de Paris X (Nanterre). Em 2000, conclui o doutorado com a tese "Leitoras de Sabrina: usuárias ou consumidoras? (Um estudo da prática leitora dos romances sentimentais de massa)". Passa a ministrar aulas e realiza orientações na pós-graduação da UFMS até 2009, ano em que se aposenta e volta a morar na Barra, sua terra natal. Nessa região, atualmente ajuda a preservar uma floresta e continua pintando e desenhando.

Genésio Fernandes recebe, ao longo dos anos, os seguintes prêmios na área da Pintura: Primeiro Prêmio no Salão de Artes do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Itajubá - MG (1972); Terceiro Prêmio "Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul - FIEMS" no X Salão de Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul (1997) e Segundo Prêmio "Governo do Estado de MS" no XI Salão de Artes Plásticas de MS (1998). Participa, também, de diversas coletivas, destacando-se: Pintores Acreanos em Brasília (1978); XII Salão de Artes Plásticas da UFPE, Recife (1981): Mestres e Contemporâneos; Galeria Rodrigues, Recife (1980); Galeria 3 Galeras, Olinda - PE; Galeria Sol, São José dos Campos - SP (1984); Galeria de Arte da UFAC, Rio Branco (1986) e XII Salão de Artes Plásticas de MS, Campo Grande (2001).

Individualmente, Genésio Fernandes expôs na Galeria do Hotel Chuí, Rio Branco (1977); Centro de Artes e Comunicação da UFPE; Galeria Rodrigues, Recife (1980); na Universidade da Flórida - EUA, em Miami, Gainesville e Telahasse (todas em 1987); Galeria de Arte da UFAC, Rio Branco (1991 e 1994). Em Campo Grande - MS, expôs: na Galeria do Banco do Brasil (1993); no Museu de Arte Contemporânea - MARCO (1995, 2003, 2004, 2007, 2009); na Morada dos Bais (1996); no Centro Cultural José Octávio Guizzo (2001); e Galeria do SESC - Horto (2002). Atualmente, Genésio Fernandes conta com mais de 130 obras no acervo do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul - MARCO.

HARDMAN, Francisco Foot
Pessoa · 23/02/1952 -

Francisco Foot Hardman nasce na capital paulista, em 23 de fevereiro de 1952, filho de Eloy Hardman Cavalcante de Albuquerque e Diva Foot Hardman.

Francisco Foot Hardman divide o ensino fundamental entre a Escola Conselheiro Lafayette (1959-1962) e o Colégio Santa Cruz (1964-1967), onde também cursa o ensino médio (1968-1970). Entre 1971 e 1974, bacharela-se em Ciências Sociais, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, na mesma Instituição, torna-se mestre em Ciência Política, cursando o mestrado entre os anos de 1975 e 1980. Faz também a licenciatura em Ciências Sociais, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), entre 1977-1979.

Inicia sua carreira profissional ainda na época da graduação, atuando como monitor no Colégio Santa Cruz e como professor em "O curso" - Cursos Vestibulares. Já no período da pós-graduação, passa a lecionar nos colégios Palmares e Industrial IADÊ e nas Faculdades Integradas Alcântara Machado, além de fazer parte da Coordenação Editorial da Kairós Livraria e Editora.

Em 1980, ingressa na carreira docente na qualidade de professor adjunto no Departamento de Ciências Sociais do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No ano seguinte, ingressa no doutorado em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), defendendo a tese "Trem Fantasma: Espetáculos do maquinismo na transição à modernidade", sob a orientação da Profa. Dra. Maria Sylvia Carvalho Franco, em 1986. A tese é publicada dois anos depois.

Em 1982, em parceria com Victor Leonardi, lança "História da Indústria e do Trabalho no Brasil: das Origens aos Anos Vinte" e, no ano seguinte, "Nem Pátria, Nem Patrão: Vida Operária e Cultura Anarquista no Brasil". Em 1985, publica com Antonio Arnoni Prado "Contos Anarquistas: Antologia da Prosa Libertária no Brasil (1901-1935)".

Em 1987, deixa a UFPB e ingressa na UNICAMP como professor do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL - UNICAMP). Uma de suas primeiras atividades na nova Instituição é coordenar a Comissão de Elaboração do Regulamento Geral do Centro de Documentação Cultural "Alexandre Eulalio" (CEDAE). No período entre 1989 e 1991, ocupa o cargo de coordenador do CEDAE, faz pós-doutorado no College International de Philosophie (França) e atua como professor visitante na Università di Roma La Sapienza.

Em 1994, obtém o título de livre-docência, com a tese "Brutalidade antiga e outras passagens". Entre 1991 e 1995, ocupa o cargo de Diretor Associado do IEL, ao lado do Prof. Dr. Rodolfo Ilari. Em 1995, é professor visitante na Freie Universität Berlin, onde ministra aulas na graduação e pós-graduação, desenvolvendo o projeto "La Présence de la Poétique des Ruines dans la Conception d'Histoire des Écrivains Brésiliens Fin-de-Siècle (1880-1920)" junto à Maison des Sciences de L'Homme (França). Nos anos 2000, atua em universidades estadunidenses, sendo professor visitante da University of California at Berkeley (2000) e da University of Texas at Austin (2003 e 2006), onde desenvolve pesquisa sobre a obra poética de Euclides da Cunha. Entre 2013 e 2014, faz pós-doutorado na Università di Bologna.

Entre suas publicações mais recentes, estão: "A Vingança da Hileia: Euclides da Cunha, a Amazônia e a Literatura Moderna" (2009), "Contos anarquistas: temas e textos da prosa libertária no Brasil - 1890-1935" (2011) e "Escritas da Violência", este último organizado com Marcio Seligmann e Jaime Ginzburg (2012).

Além de sua atuação como orientador e supervisor de trabalhos acadêmicos nas áreas de Letras, Ciências Sociais e História, o titular também é membro do conselho editorial das revistas "Journal of Latin American Cultural Studies" (Londres), "Rivista di Studi Portughesi e Brasiliani" (Pisa-Roma), "O Olho da História" (Salvador) e "Crítica Marxista" (Campinas). Junto à imprensa, atua como editorialista do jornal "Folha de S. Paulo" (1983-1985), tendo também colaborado como ensaísta no caderno "Aliás" do jornal "O Estado de S. Paulo" (2004-2012).

Robert Auguste Edmond Mange
Pessoa · 1885-1955

Robert Auguste Edmond Mange, ou Roberto Mange, nasceu em La Tour-de-Peilz, Suíça, no dia 31 de dezembro de 1885. Formou-se em engenharia pela Escola Politécnica de Zurique em 1910. Em 1913, o então diretor da Escola Politécnica de São Paulo, Antônio Francisco de Paula Souza, solicitou professores à Escola Politécnica de Zurique para ministrar aulas no Brasil. Roberto Mange aceita a indicação de lecionar em São Paulo e assume a cátedra de Engenharia Mecânica aplicada às máquinas. Após ter sido convocado para servir durante a Primeira Guerra Mundial, retornou ao Brasil em 1915, indo residir em Ribeirão Pires, próximo à cidade de São Paulo. Com a legislação pertinente ao ensino profissional regulamentada, Roberto Mange tornou-se superintendente do recém criado Curso de Mecânica Prática, depois Escola Profissional de Mecânica do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Defensor do ensino profissional, participou de várias comissões e, em 1929, viajou para Alemanha a fim de observar os cursos profissionais dirigidos aos operários das estradas de ferro. No ano seguinte, organizou o Serviço de Ensino e Seleção Profissional da Estrada de Ferro Sorocabana, do qual foi diretor até 1934. Em 1931, em colaboração com outros especialistas, fundou o Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), com o qual contribuiria durante muitos anos. Participou de inúmeras comissões, tais como: Comissão de Especialistas para Redação do Código de Educação, em 1933; Comissão Organizadora do Plano de Ensino Profissional, em 1934; e outras ligadas à administração da cidade de São Paulo, relativas à saneamento, urbanização, trânsito e combustíveis. Colaborou com a Escola Técnica Nacional, com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a Escola Técnica Getúlio Vargas, com a Escola Livre de Sociologia e Política, com o Ministério da Educação e Saúde e com as administrações públicas municipal e estadual. De 1940 a 1942, organizou com líderes industriais como Roberto Simonsen e Euvaldo Lodi, a fundação do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai) e foi seu primeiro diretor, tendo exercido o cargo até falecer. Em 1947, retornou à Europa buscando novidades para as escolas técnicas. De 1945 a 1955, colaborou na construção de escolas SENAI em Campo Grande (MS), Anápolis (GO) e Porto Velho (RO), e criou o Serviço de Adaptação Profissional de Cegos para a Indústria de São Paulo, em 1953. Foi condecorado com os títulos de Cavaleiro da Legião de Honra da França, Diretor de Honra do IDORT, Professor Emérito da Politécnica de São Paulo e Mérito no grau de pioneiro por serviços prestados à prevenção de acidentes do trabalho, pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Faleceu no dia 31 de maio de 1955, em São Paulo, aos 69 anos.

Zainunnissa Gool
Pessoa · 1897-1963

Nascida na Cidade do Cabo com o nome Zainunnissa (Cissie) Abdurahman, estudou na Universidade de Londres (1918) e obteve o bacharelado em Artes pela Universidade do Cabo, o qual conseguiu concluir apenas em 1932 após diversas interrupções, entre as quais, o casamento com A. H. Gool. No ano seguinte, obteve o título de Mestra em Psicologia pela mesma instituição, fato inédito até então para uma mulher negra. Foi eleita presidente da National Liberation League (NLL), organização que combatia a segregação e o imperialismo. Em 1938, foi eleita presidente da Non-European United Front, que tinha a missão de coordenar a união de organizações congêneres. Nesse mesmo ano, foi a primeira mulher não europeia a ser eleita para o Conselho da Cidade do Cabo, cargo no qual permaneceu até sua morte, lutando pela igualdade dos não-europeus. Em 1943, tornou-se membro da Anti-CAD Organization e do Western Province Unity Movement. No mesmo ano, foi delegada do South African Indian Congress, realizado na região de Transvaal. Nos anos de 1940, participou do Cape Passive Resistance Council.

Jaime Wright
Pessoa · 1927-1999
Fortunato Antônio Badan Palhares
Pessoa · 1943 - atualmente

O Prof. Dr. Fortunato Antônio Badan Palhares, nascido em São Paulo–SP em 27 de junho de 1943, é um renomado médico legista, professor universitário e pesquisador com uma vasta trajetória acadêmica e profissional, especialmente na área de Medicina Legal. Sua formação acadêmica é extensa e diversificada, abrangendo cursos técnicos, graduações, especializações e doutorado. Ele concluiu o Curso Técnico de Laboratório de Análises Clínicas pela FCM/Unicamp em 1967, formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, Portugal (1967-1971), e também pela FCM/Unicamp (1971-1974). Em 1985, obteve seu doutorado na Unicamp, com a tese intitulada "Efeitos Lesivos Causados pelo Uso Indiscriminado do Gás Lacrimogênio ‘CN’". Além disso, especializou-se em Medicina Legal pelo Conselho Federal de Medicina do Estado de São Paulo.

Trajetória na Unicamp

Na Unicamp, destacou-se por sua atuação tanto acadêmica quanto administrativa. Foi técnico de laboratório no Departamento de Histologia e assumiu diversas funções como docente no Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal, que posteriormente originou o Departamento de Medicina Legal. Sua progressão acadêmica incluiu cargos de Professor Assistente e Professor Doutor, alcançando posições de liderança, como chefe e vice-chefe do departamento em diferentes períodos (1986-1995). Também coordenou importantes iniciativas, como a integração do Centro Regional de Maus Tratos na Infância ao departamento e o emblemático Projeto Ossadas de Perus (1990-1991), que visava identificar restos mortais de vítimas de violência política durante a ditadura militar brasileira.

Entre outras responsabilidades, foi coordenador de disciplinas na área de Medicina Legal, membro da Comissão de Ética Médica e presidente da Comissão de Revalidação de Diplomas Estrangeiros da FCM/Unicamp, além de atuar no setor pericial do departamento.

Atuação Externa

Fora da Unicamp, Dr. Badan Palhares contribuiu em instituições como o Instituto de Anatomia Patológica e Citopatologia de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas e o Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo e Campinas, onde atuou como médico legista efetivo. Foi professor de Medicina Legal no Instituto Médico Legal de São Paulo e na Academia Nacional de Polícia de Brasília. Também ocupou cargos de liderança em entidades como a Sociedade Brasileira de Medicina Legal, sendo vice-presidente em 1986, e o Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância.

Reconhecimentos e Impacto

Sua carreira é marcada pela excelência no ensino, pesquisa e prática médica, com contribuições significativas à Medicina Legal, perícia forense e ética médica. Foi consultor “ad hoc” de importantes órgãos de pesquisa e membro ativo em conselhos e comissões dedicadas à ética médica, evidenciando seu compromisso com a formação de profissionais e o fortalecimento da ciência no Brasil.

Dr. Badan Palhares é reconhecido como um dos principais especialistas brasileiros em Medicina Legal, com impacto relevante na formação acadêmica, perícia científica e investigações que contribuíram para a justiça e a preservação dos direitos humanos.

Estevão Maya-Maya
Pessoa · 1943-2021

Estevão Maya-Maya nasceu José Estevão Maya no povoado de Pano Grosso, em Viana, Maranhão, em 1943, criado por uma tia-avó. Maestro, cantor, compositor, escritor e professor, Estevão estudou música na Academia de Música do Maranhão e nos Seminários de Música da Universidade Federal da Bahia desenvolvendo trabalhos de Canto, Piano, Rítmica, Estruturação, Análise Musical e Composição. Viveu um tempo no Rio de Janeiro antes de se estabelecer em São Paulo nos anos 1970. Bolsista da Pró-Arte no Rio de Janeiro, estudou canto com Sonia Born e análise musical com Esther Scliar. Fez parte da equipe de pesquisas musicais da Fundação de Artes de São Caetano do Sul, tornando-se técnico do Laboratório Experimental de Desenvolvimento Auditivo. Estudou composição com H.J. Koellreutter, além de outros mestres como Margarita Schack e Eugênio Kusnet. Sua rara voz de baixo profundo oferecia três oitavas de extensão, característica que lhe aferiu grande versatilidade. Era musicólogo e compositor, sendo seu maior interesse voltado para pesquisas em torno da música africana e sua contribuição à estética musical brasileira. Maya-Maya também possuía bons conhecimentos em oito idiomas, incluindo russo e dois dialetos africanos. Sua experiência como cantor lírico inclui recitais e concertos como solista ao lado de grandes pianistas e de orquestras como a Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP, além da passagem por palcos como o do Theatro Municipal e o do Teatro Colón, em Buenos Aires. No teatro, emprestou seu talento ao personagem Caifás, na montagem brasileira da ópera-rock “Jesus Christ Superstar”. Além disso, trabalhou no espetáculo “Hair” e no show “Síntese da História do Jazz”. No campo da literatura, tem dois livros publicados, um em parceria com o poeta Vilmar Ribeiro e ocupou a cadeira número 23 da Academia Vianense de Letras. Em 1974, liderou a fundação da Cacupro - Casa da Cultura e do Progresso, entidade negra que funcionou no bairro do Ipiranga, zona sul da capital paulista. O legado de seu estudo distribui-se ao longo de suas obras, desde o musical “Ongira: Grito Africano”, até o coral Cantafro, criação sua – grupo que foi responsável pela trilha sonora do seriado “Abolição”, da Rede Globo e registra aparição num documentário da BBC londrina. Além do Cantafro, Maya-Maya já dirigiu vários outros corais, fundando o Coral Afro-braisleiro “Melodiafro” na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Maya-Maya faleceu em 17 de setembro de 2021 de Covid-19.

Cacilda Lanuza de Godoy Silveira
Pessoa · 1930-2018

Cacilda Lanuza de Godoy Silveira, filha de José De Albuquerque Silveira e Lanuza de Godoy Silveira, nasceu em Campina Grande, em 1 de setembro de 1930 e faleceu em São Paulo, em 17 de junho de 2018. Mãe de Sevani e Marcelo e avó de Amanda, Gabriel, Rafael e Tomás, Cacilda Lanuza foi atriz de rádio, cinema, televisão e teatro. Desde 1978, aposentada de sua profissão, dedicou-se integralmente às questões ambientais, principalmente à luta antinuclear. Organizou o primeiro evento público em defesa das baleias no Brasil em 1979. Autora e intérprete da peça “Verde que te Quero Verde”, em 1982 escreveu o livro “A Semente na Palma da Mão”, também de informações ecológicas. Fundou e presidiu por 13 anos o Grupo Seiva de Ecologia, cujo “boletim” também elaborava. Teve atuação decisiva na inclusão do Artigo 204, de proibição da caça, na Constituição de São Paulo em 1989, após longa e árdua batalha. Recebeu do CGE - Grupo Consciência Ecológica, o título de General na Ecologia. Foi mencionada no livro “Galeria dos Ecologistas” em 1997.