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Registro de autoridade
Michel Lahud
Pessoa · 08/09/1949 - 18/12/1992

Filho de Bechara Lahud e Victória Arbid Lahud, Michel Lahud nasce no dia oito de setembro de 1949, em São Paulo.

Em 1956, cursa o ensino primário em sua cidade natal, no Externato Ofélia Fonseca, concluindo-o em 1959. No ano seguinte, ingressa no ensino secundário no Colégio Santo Américo, onde se forma em 1967. Em 1968, inicia a graduação na Universidade de São Paulo (USP), estudando nos departamentos de Filosofia e Psicologia.
Em 1969, transfere-se para a França, onde prossegue seus estudos de Filosofia. Inicialmente, entre 1969 e 1970, estuda na Université de Paris VIII, juntamente com Michel Foucault, que o aconselha a mudar para a Université de Provence, Aix-en-Provence, onde, orientado por Gilles Gaston Granger, licencia-se em Filosofia no ano de 1972. No ano seguinte, recebe o título de mestre em Filosofia, com a dissertação "Enquête autor de la notion de deixis".

Ainda em 1972, realiza uma série de palestras sobre "Língua, Discurso e Entendimento na Época Clássica" e "O Mistério da Significação" para as cadeiras de História de Filosofia Moderna II e Lógica I, respectivamente, do Departamento de Filosofia da USP.

Em 1974, retoma seus estudos na USP, ingressando no doutorado em Filosofia. Nesse mesmo ano, de agosto a dezembro, atua como professor de francês na Aliança Francesa de São Paulo. Já em 1975, entra para o quadro de docentes do Instituto de Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas (IEL - UNICAMP), nas atividades de professor assistente do Departamento de Linguística.

Em 1976, participa da mesa redonda sobre "Filosofia e Linguagem", na vigésima oitava reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e, no ano seguinte, durante a vigésima nona reunião anual da SBPC, da mesa sobre "Linguagem e Ideologia". Em 1978, enquanto membro da revista Almanaque, ministra um curso de extensão sobre "Teoria da Linguagem", no Instituto Sedes Sapientiae. Além disso, nesse mesmo ano, realiza uma conferência sobre "A Relação da Linguística com as outras Ciências" para o Departamento de Linguística e Línguas Orientais da USP.

Em 1979, obtém o título de Doutor pela USP e publica "A Propósito da noção de dêixis", tradução do mestrado que fez na França. Ainda em 1979, lança, em parceria, a tradução de dois livros: "Usos da linguagem", de François Vanoye (tradução e adaptação com Haquira Osakabe, Clarice Madureira e Éster Gebara), e "Marxismo e Filosofia da Linguagem", de Mikhail Bakhtin (tradução com Yara F. Vieira). Ademais, publica a tradução de "Montesquieu e o espectro do despotismo", de Alain Grosrichard, na revista Almanaque, da qual é membro do comitê de redação entre 1976 e 1983.

Entre 1978 e 1981, com uma bolsa de estudos da CAPES, faz estágio no Département de Recherches Linguistiques da Université de Paris VII e, entre 1981 e 1982, na Section "Sémantique, Sémiologie et Linguistique" da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris). Nesse período, publica, em conjunto com F. Franklin de Matos, o livro "Matei minha mulher: o caso Althusser" (1981), também realizando uma comunicação sobre "Sur le rôle de l'histoire régressive de la linguistique" na Seconde Conférence Internationale d'Histoire des Science du Langage, em Lille, na França.

Em 1985, ministra a conferência de abertura da "Mostra Pier Paolo Pasolini", realizada no Museu da Imagem e do Som em Campinas, São Paulo. Nesse mesmo ano, publica a transcrição e tradução de "A Perseguição", um fragmento radiofônico inédito de Michel Foucault, e a tradução de "Hierarquia", de Pier Paolo Pasolini, na Folha da São Paulo. No ano seguinte, torna-se professor do Programa de Pós-graduação em Lógica e Filosofia das Ciências do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e profere conferências sobre "Pasolini: Paixão e Ideologia" no curso "Os sentidos da paixão", promovido pela Funarte em quatro capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba.

Entre 1985 e 1987, participa como membro organizador da coleção "A Ciência da Abelha", publicada pela Editora Max Limonad. Em 1987, com bolsa de estudos concedida pela CAPES, atua como pesquisador no Fondo Pier Paolo Pasolini, em Roma, onde permanece até 1988. Nessa estadia, participa como pesquisador convidado da mostra "Pier Paolo Pasolini: um cinema di poesia", realizada junto à "Mostra Internazionale del Cinema", em Veneza. Ademais, em 1988, publica a tradução de "Observações sobre o plano-sequência", de Pasolini, na revista "Cadernos de Estudos Linguísticos", do IEL.

Em 1989, quando retorna ao Brasil, transfere-se do IEL para o IFCH, tornando-se professor assistente do Departamento de Filosofia. Nesse mesmo ano, publica a tradução de "Lógica e pragmática da causalidade nas ciências do homem", de Gilles-Gaston Granger, pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). Em 1990, publica, pela editora Brasiliense, a tradução de "Os jovens infelizes: antologia de ensaios corsários", de Pier Paolo Pasolini (livro traduzido em conjunto com Maria Betânia Amoroso). Além das obras citadas, possui ensaios e traduções publicados em vários periódicos brasileiros e estrangeiros.

Michel Lahud falece em São Paulo, no dia dezoito de dezembro de 1992.

Haquira Osakabe
Pessoa · 01/07/1939 - 13/05/2008

Filho dos imigrantes japoneses Takeshi Osakabe e Eiko Osakabe (nascida Eiko Yoshida), Haquira Osakabe nasce em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, no dia primeiro de julho de 1939.

Apesar de os pais terem estudado no Japão (o pai era farmacêutico e a mãe, professora primária), quando chegam ao Brasil, em 1934, o destino inicial do casal é uma fazenda de café no município de Guararapes, interior do estado de São Paulo. Por volta de 1936, antes de terminar seu contrato de trabalho, a família muda-se para Ribeirão Preto, onde abre uma escola de japonês, transformada posteriormente em pensionato, para atender os filhos da colônia na região.

Em sua cidade natal, Haquira estuda no Mosteiro dos Beneditinos (internato), cursa o Ginasial no Colégio Moura Lacerda e o Normal no Instituto de Educação Otoniel Mota. Em 1969, forma-se no curso de Letras Vernáculas na Universidade de São Paulo (USP). No ano seguinte, aceita uma bolsa para estudar na França ao lado de Carlos Franchi, Rodolfo Ilari e Carlos Vogt, seguindo um projeto idealizado pelo filósofo Fausto Castilho que visava organizar a área de Ciências Humanas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), formando um Departamento de Linguística na mesma Instituição.

Assim, em 1970, Haquira licencia-se em Linguística pela Université de Franche-Comté, em Besançon. No ano seguinte, ainda em Besançon, escreve o mestrado, intitulado "Recherches sur l'Analyse du Discours", sob a orientação de Jean Peytard. De volta ao Brasil, assume o cargo de Professor Assistente na UNICAMP, onde já era contratado desde 1969 (na função de Auxiliar de Ensino e Instrutor, durante o período passado em Besançon).

Em 1972, Haquira Osakabe publica a tradução de "Semântica estrutural", de A. J. Greimas, realizada em conjunto com Isidoro Blikstein. Em 1976, obtém o doutorado em Linguística pela UNICAMP com a tese "O componente Subjetivo no Discurso Político", publicada dois anos depois sob o título "Argumentação e Discurso Político". Entre 1977 e 1978, publica, em conjunto com Marisa Lajolo e Francisco Platão Savioli, os três volumes de "Caminhos da Linguagem", livro didático voltado para o ensino de língua portuguesa no segundo grau (ensino médio). Em 1979, publica a tradução e adaptação do livro "Usos da Linguagem", de Francis Vanoye, realizada sob sua coordenação e em conjunto com outros pesquisadores.

Em 1982, retorna à Université de Franche-Comté, em Besançon, para fazer um pós-doutorado em Análise do Discurso. No mesmo ano, passa a fazer parte do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL - UNICAMP), onde participa da fundação do Núcleo de Estudos de Culturas de Expressão Portuguesa e da criação da revista "Estudos Portugueses e Africanos". Haquira participa do conselho editorial dessa revista desde o seu primeiro número, em 1983, coordenando-a ao lado de Adma Muhana entre 1996 e 2004, ano em que se dá o encerramento da revista. Em 1985, faz pós-doutorado em Literatura Portuguesa na Universidade de Lisboa. Já em 1990, é publicado o livro "Relato Autobiográfico", de Akira Kurosawa, com prefácio de Haquira Osakabe.

Entre 1991 e 1992, atua como professor visitante do Departamento de Português na Georgetown University. Em 1993 é publicado "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, prefaciado por Haquira Osakabe. Dois anos depois, em 1995, é publicado "Contos", de Oe Kenzaburo, com uma apresentação de Haquira Osakabe, que também cuidou da revisão literária da obra. No ano seguinte, é publicado o livro "Contos da Chuva e da Lua", de Ueda Akinari, cuja revisão literária também foi realizada pelo titular. Os dois últimos livros foram editados pelo Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo.

Haquira aposenta-se em 1997, mantendo, no entanto, diversas atividades de orientação e de pesquisa em sua área de atuação. Em 1999, realiza pós-doutorado sobre Fernando Pessoa na Universidade Nova de Lisboa. Já no primeiro semestre de 2001, ministra uma disciplina sobre Modernismo Brasileiro e Português na Pós-Graduação da University of California, em Los Angeles. Em 2002, lança "Fernando Pessoa: Resposta à Decadência" e, no primeiro semestre de 2005, ministra um curso sobre Fernando Pessoa e sua geração na Pós-Graduação da University of California, em Berkeley. Também participa do Conselho Editorial da coleção "Ensaios", da Editora Ática, e da coleção "Ciência da Abelha", da Max Limonad. A partir da década de 1980, coordena desde a sua criação as coleções "Poetas do Brasil" e "Texto e Linguagem", da Martins Fontes.

Os trabalhos mencionados não esgotam a produção do professor Haquira Osakabe, que destaca-se ainda por seus inúmeros artigos em jornais brasileiros e em revistas acadêmicas em diversas áreas, a exemplo de Análise do Discurso, Linguística, Ensino de Literatura, Ensino e Leitura no Brasil, Cinema, Política, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e Cultura Japonesa.

Haquira Osakabe falece no dia treze de maio de 2008.

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